PRETOS EM CONTOS - Oficina

PRETOS EM CONTOS - Oficina

Estas quizumbas tem a intenção de discutir, de forma prática, a produção de contos curtos. Haverá a disposição de material de leitura e um mural (Plataforma Moodle) para a exposição dos contos feitos pelos participantes. Importante escurecer que é uma oficina prática e que exige dos participantes a disponibilidade de escrever, ler e discutir os seus e os escritos dos outros participantes. Indicada para pessoas maiores de dezoito (18) anos

11/01/2021 - 03/02/2021

Categoria: Oficina Cultural Tags: África

Descrição

Promover uma oficina de escrita literária On-line com 8 (oito) quizumbas (encontros de duas horas cada),  ocorrendo as segundas e quartas com o inicio as 20 e terminando as 22h. Nestes serão produzidos, individualmente, e discutidos em grupo, contos curtos. Haverá proposições de escritas de contos com tempo determinados, com números máximo e mínimos de linhas e com proposições (instigações) para a melhor produção possível dos participantes. 

  11/01/2021 - 03/02/2021 | 20:00

  Aulas não disponíveis após o curso

  Duração: 16:00

  Capacidade de até 20 pessoas

  Condições de Cancelamento: Semi-flexível - cancelamento até 3 dias antes do check-in com reembolso de 50% do valor da reserva em crédito na plataforma por até 6 meses.


Quem faz

AUTOBIOGRAFIA DE PLÍNIO CAMILLO

 

Nasci em um sábado, pela manhã, com o cordão umbilical enrolado no pescoço. Roxo.

Pardo

Preto

Negro.

Aos três anos descobri que as letras tinham significados. Também ganhei uma irmã, como o mesmo nome da nossa avó.

 

Pardo

Pardinho

 

Aos cinco, a interrogação. Por que não a chupeta? Agora sou o mais velho? Tenho que dar o exemplo pra Paula e o Paulo.

Tenho?

Para que

Para quem?

 

Pretinho!

Preto!

Pretão!

 

Aos nove, não era sintético, porque não ... por que sim ...

Aos doze, quis ser metonímia. Sagitário e rato no chinês. Perdia noites acordado pensando na morte da bezerra ou da minha mãe ou do meu pai ou da minha tia ...

 

Negrinho

Negro. Black Power

 

Aos quinze, conquistou a exclamação. Oi! Estava no segundo beijo. Terceiro abraço. Estou maior que o meu pai.

 

Preto

Pretão. Black Bonito

 

Aos dezessete, viu os morfemas. Auto e contra. Pró. Sangue. Sou maior que o meu primo mais velho

 

Negro

Negrão

 

Aos dezoito, foi liberado do tiro de guerra, virou perífrase. É!

Quase quis Agronomia

Negrão

 

Foi para as Letras.

 

Negro só

 

Aos vinte, estava no palco. Ser e também ser: outra questão

 

Negro

 

Aos vinte e seis, desenredei a Lingüística e atuei com meninos e meninas de rua.

 

Black zuado

 

Aos trinta e cinco, recebi o maior presente: aquela que lhe trouxe a felicidade: Minha filhota, Beatriz.

Black

Negro

Tranças

 

Aos quarenta, desvendou uma ligeira maturidade e ironia: foi morar só

 

Aos quarenta e cinco, recebeu o prazer de viver no adjunto adverbial de companhia.

Aos cinquenta, toma remédio para pressão e usa óculos até para atender telefone.

 

Com cinquenta e um, lança o primeiro romance: O NAMORADO DO PAPAI RONCA

Aos cinquenta e três, o segundo livro, CORAÇÃO PELUDO, uma coletânea de contos.

Aos cinquenta e cinco, louvo os meus antepassados com o livro OUTRAS VOZES

Aos cinquenta e sete, quase tudo junto, soltei: DE RUA, BOMBONS SORTIDOS e LUIZA

No momento seguinte, cometi algumas NOTAS DE ESCURECIMENTO

Hoje, com sessenta, me divirto cometendo escritos.

Negro