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Ciência é Coisa de Pretx! – Da origem africana da humanidade até Kemet

R$200,00 R$180,00

O Curso Ciência é Coisa de Pretx! – Da origem africana da humanidade até Kemet, propõe promover o conhecimento da produção científica dos povos africanos e descendentes na Maafa (diáspora) que por séculos foi ocultada.  Na verdade, é impossível saber realmente história da ciência sem também aprender sobre a base dxs inventorxs pretxs.

O curso é oferecido pelo Professor  Carlos Eduardo Dias Machado, mestre em História pela USP.


Dias 16 a 20 de novembro

Descrição

O Curso Ciência é Coisa de Pretx! – Da origem africana da humanidade até Kemet, propõe promover o conhecimento da produção tecnológica dos povos africanos e descendentes na diáspora que por séculos foi ocultada. Estas contribuições científicas, tecnológicas e inovadoras que mulheres e homens de origem africana e da Maafa legaram e têm dado à humanidade ao longo da história. Na verdade, é impossível saber realmente história da ciência sem também aprender sobre a base dos inventores de origem africana.

Este tema foi pouco divulgado por questões ideológicas. A partir do século 15 na Europa inaugurou um modo de pensar o povo africano e indígena (originários) como selvagens, bárbaros, feios, sujos, malvados, burros, animais e desprovidos de alma.

Nessa construção criou-se uma imagem negativa a respeito da inteligência da população negra como inexistente e uma gama de intelectuais brancos como Lineu, Hegel, Montesquieu, Hume, Kant, Lineu, Toynbee, Burgess, Darwin, Trevor-Hoper, Watson, Cuvier, Voltaire, entre outros, desenvolveram teses afirmando que mulheres e homens negros não são humanos nem dotados de inteligência, não criaram impérios, civilizações e ciência, sendo isto uma prerrogativa do homem branco. Esse é um dos legados do roubo colonial.

Este pensar euro não possui fundamentação histórica, a começar, a nossa espécie Homo sapiens evoluiu na África há 350 mil anos e foi neste continente que foi desenvolvida a tecnologia para o ser humano se desenvolver e migrar para outros continentes, além de criar por volta de 200 reinos impérios e civilizações importantes como o Egito (Kemet), Kush, Etiópia (desde a antiguidade independente), Ndongo, Mali, Congo, Gana, Rozvi, Zulu entre outros ao longo de 5300 anos de história.

O objetivo é ajudar a sanar uma grave falta de conhecimento, comum para a maioria dos brasileiros. Quantos graduados poderiam nomear um cientista negro? Quantos alunos poderiam descrever quaisquer realizações científicas que ocorreram no continente africano? Essa ignorância tem sérias implicações para a autoestima de uma parcela muito importante da população brasileira. Como pensar em ciência africana, quando são apresentados mitos estereotipados da África e nosso povo não é reconhecido como civilização?

As possibilidades de pesquisa em ciência africana são quase infinitas. A diversidade de culturas, histórias, tecnologias, inovações, espécies animais e vegetais é enorme e desconhecida do grande público. A maior parte deste potencial e riqueza de conhecimento nunca vê a luz do dia em nosso país e em diversos países do mundo. O objetivo principal deste trabalho é incentivar as futuras professoras de ciências exatas, humanas, biológicas e saúde incorporarem exemplos de ciência africana e de importantes cientistas descendentes de africanos em suas aulas e assim, ensinar as crianças e adolescentes a ter respeito igual para as realizações de todas as etnias que compõem o nosso país. Devemos estimular as novas gerações a tornarem-se livres pensadores e perceber que a ciência é uma parte de cada cultura em todo o mundo. A boa ciência vem em muitas formas e não apenas existe a ciência produzida na Europa Ocidental, Estados Unidos, Japão e Coréia do Sul.

Alguns desses problemas poderiam ser evitados com a reforma dos currículos de ciência  existente. Embora este curso só vá lidar com a ciência relacionada à África e a população descendente de africanos, é opinião deste escritor que a ciência de todas as etnias devem ser representada no currículo de ciências em atendimento à Lei Federal 11.645/2008 de História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena.

Muitas pessoas podem perguntar por que as contribuições da África devem ser incluídas no currículo de ciências. Carl Sandburg (1979) relatou um diálogo entre um branco estadunidense e um indígena nativo-americano que ilustra a necessidade de uma educação multicultural:

O homem branco desenhou um pequeno círculo na areia e disse ao homem vermelho: isto é o que o índio sabe. E desenhou um grande círculo em torno do pequeno: isto é o que o homem branco sabe. O indígena então pegou o pau e levou um imenso anel em torno de ambos os círculos e disse: este é o lugar onde o homem branco e o homem vermelho não sabem de nada.

Asa G. Hilliard III (1992) oferece o seguinte argumento convincente: “O principal objetivo do processo pluralista no currículo é apresentar uma interpretação verdadeira e com o objetivo de apresentar toda a experiência humana. Esta não é uma questão de ações afirmativas no currículo para “equilíbrio”, é pura e simplesmente uma questão de validade científica. Em última análise, se o currículo está centrado na verdade, tem que  ser plural, pelo simples fato de que ciência humana é o produto das contribuições de toda a humanidade e não a posse de um único grupo étnico”.

Existem invenções de pesquisadoras negras e negros em 100 países, com mais de 15.000 patentes das mais triviais às de alta complexidade. Apresento uma gama de contribuições intelectuais, incluindo invenções negras para o cotidiano tais como:
geladeira, batedeira de ovos, cortador de grama, papel, escova de cabelo, lavatório para cabelos de salão de beleza, galochas, cadeado, bomba de inseticida, tampas para garrafas, cadeira dobrável, carrinho de bebê, colher de sorvete, espremedor de limão, pilão, lampião, caneta tinteiro, elevador, pá de lixo, tábua de passar roupa, esfregão, rolo
para massa, carimbo, irrigador de grama, triciclo, sanitário, extintor de incêndio, ar condicionado, secadora de roupas, câmbio manual e automático, vela de ignição, bonde, calculadora, óculos de proteção, óculos 3D, semáforo, trem elétrico, telefone, telefone celular, controle remoto, microfone, estetoscópio, máquina de escrever, guitarra, vídeo game, microchip de computador, disquetes e muito mais.

O curso destacará inovações e desbravadores nos campos da ciência, tecnologia e inovação em diversas áreas do conhecimento como Educação, Astronomia, Matemática, Metalurgia, Farmacologia, Medicina, Agricultura, Pecuária, Botânica, Zoologia, Têxteis, Engenharia Naval, Arquitetura e Urbanismo, Comunicações, Defesa, Comércio, Direito, Química, Física, Aviação, Engenharia Aeroespacial, Arquitetura, Psicologia, Psicanálise e Informática.

Os africanos e seus descendentes sempre criaram soluções para facilitar sua vida e da coletividade, mas a escravidão islâmica e cristã a partir do século 10 d.C. alterou esta percepção. Foi criada a ideia de “raça” e neste conceito os chamados “negros” ou “zanj” só tinham a função de serem explorados para a construção de riquezas. Estas conquistas do passado e presente ficaram invisibilizadas pelo racismo e apenas a inventividade dos brancos foi valorizada, tanto que inexistem no imaginário social invenções de mulheres, negros e indígenas criando uma noção de que estes populações não possuem capacidade inventiva e suas habilidades são reconhecidas em áreas como esporte, música e entretenimento. Este curso destaca a genialidade de inventores que contribuíram para a reformulação do mundo mecânico e invenções usadas todos os dias. Realizações desconhecidas que impactaram o mundo enquanto superação da pobreza, déficit educacional e preconceito étnicoracial. Muitas histórias de inventores estão inseridas no contexto do processo de conquista pelos Direitos Humanos. Apresento geniais inventorxs, cientistas e pioneiros cujas ideias brilhantes e suas ambições ajudaram a moldar nossas
vidas hoje.

Sobre o facilitador


O curso é oferecido pelo Professor  Carlos Eduardo Dias Machado mestre em História pela USP, Machado é autor dos livros Ciência, Tecnologia e Inovação Africana e Afrodescendente (Bookess, 2014) e Gênios da Humanidade – Ciência, Tecnologia e Inovação Africana e Afrodescendente (DBA, 2017).

Data: 16/11/2020

Onde acontece?

Online

Descreva as condições de cancelamento

Semi Flexível

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